TRABALHADORES DA REDE ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DO TRIÂNGULO MINEIRO E ALTO PARANAÍBA ENTRAM EM 'GREVE SANITÁRIA'

Trabalhadores da educação da rede estadual no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba entraram em "greve sanitária" na segunda-feira (12) em protesto pelo retorno presencial das atividades escolares durante a pandemia da Covid-19, autorizado pelo Governo do Estado em mais de 800 municípios mineiros. Segundo o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), a greve está prevista para ocorrer até o próximo sábado (17).

O Sind-UTE/MG explicou que a decisão de entrar em greve sanitária foi tomada em reunião realizada no dia 7 de julho pelo Conselho Geral e informada à Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE-MG).

Entre as questões levantadas pelo sindicato, está a vacinação lenta contra a Covid-19 e a atual situação da doença em Minas Gerais. Patos de Minas, Uberaba e Uberlândia informaram que profissionais aderiram ao movimento.

"É no contexto da pandemia da Covid-19 que a greve deve ser entendida, vez que a convocação do retorno presencial às atividades escolares em condições que representem riscos graves e iminentes de contaminação dos profissionais acarreta o comprometimento à segurança, à saúde e à vida", informou.

O sindicato de Araxá para saber a situação na cidade, mas não obteve retorno até a última atualização da matéria. Também foi tentado contato com as sedes em Paracatu e Ituiutaba, mas as ligações não foram atendidas.

Ainda segundo o Sind-UTE/MG, no dia 28 de julho, será realizada uma reunião do Conselho Geral, para analisar uma possível continuidade da greve.

A SEE-MG comentou a situação. Em nota enviada a pedido do G1, a secretaria informou que, acompanha a adesão ao movimento nas escolas, mas reitera que o processo de retomada das atividades presenciais segue conforme planejado, com todo cuidado e segurança, seguindo rigorosamente todos os protocolos sanitários da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG).

Uberlândia

Em Uberlândia, o presidente do SindUTE, Guilherme de Faria, explicou que em um primeiro momento, 26 escolas estão parcialmente paralisadas na cidade, por conta da greve.

“Nesse momento essas escolas estão parcialmente paralisadas, com trabalhadores e trabalhadoras do 1º ao 5º ano, 9º ano e 3º ano com adesão à greve sanitária. Porém, continuam trabalhando on-line, pelo tele trabalho, mostrando atividades e entregando resultados”, detalhou o presidente.

Em Uberlândia, as aulas presenciais foram liberadas a partir do dia 12 para as turmas do 1º ao 5º ano e do 9º ano do ensino fundamental, além do 3º ano do ensino médio.

Uberaba

Em Uberaba, também houve adesão à greve. A cidade estava permitida a voltar com as aulas nas turmas de 1º ao 5º ano do ensino fundamental.

Entre as 20 escolas estaduais que contam com turmas nessas faixas, duas estão totalmente paralisadas, sendo a Escola Estadual Bernardo Vasconcelos e a Escola Estadual Horizonta Lemos, além da Escola Estadual Dom Eduardo, que está parcialmente paralisada.

A coordenadora do SindUTE da cidade, Maria Helena Gabriel, criticou o planejamento feito pela SEE-MG no retorno às aulas, uma semana antes de um recesso escolar.

“Conseguimos ficar um ano e quatro meses com uma liminar que nos protege dentro de casa e agora governo volta uma semana a aula? Pois, do dia 18 [de julho] ao dia 5 de agosto já são as férias escolares. Não tinha necessidade e não fará diferença alguma os alunos irem para a escola nessa semana”, comentou.

“Então, nós estamos fazendo o trabalho diuturnamente com as outras escolas para o pessoal ter a consciência. A única forma, que nós vimos de continuar salvando vidas, é a greve sanitária”, completou.

Fonte: G1