Secretária desmente Pazuello na CPI, general teme voltar

A CPI da Pandemia vota hoje o requerimento para reconvocar a depor o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Desta vez, os senadores terão mais munição. Ao longo de mais de seis horas de oitiva, a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, desmentiu o general sobre a crise do oxigênio em Manaus. Pazuello disse que ficou sabendo da situação no dia 10 de janeiro, mas a secretária informou que o ministério foi informado no dia 7. Ela também afirmou que houve orientação do Ministério da Saúde para adoção de tratamento precoce e sem eficácia contra a Covid-19. (Globo)

Apelidada de ‘capitã cloroquina’, Mayra Pinheiro também desmentiu Pazuello sobre um suposto ataque hacker ao aplicativo TrateCov, retirado do ar após ser revelado que ele recomendava os tratamentos ineficazes para quaisquer sintomas. A secretária negou o ataque e que o aplicativo tivesse sido modificado. (G1)

Ela manteve sua defesa da cloroquina e disse que o Brasil não é obrigado a seguir orientações da OMS, que descartou o medicamento. Seguindo a linha do governo, a secretária criticou medidas de isolamento social, mas foi reticente sobre a busca de imunidade de rebanho sem vacinas, o que classificou como “extremamente perigoso”.

Mas o que sacudiu a internet foi outro assunto. O vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), reproduziu um áudio no qual a secretária fazia um pesado ataque à Fiocruz, dizendo que havia um “pênis gigante” na porta da instituição. (Twitter)

Claro, não faltaram memes sobre o comentário fálico. (Folha)

E o relator Renan Calheiros (MDB-AL) errou feio ao comparar a CPI ao julgamento em Nuremberg dos crimes de guerra nazistas e, por conseguinte, as mortes na pandemia ao Holocausto. A Confederação Israelita do Brasil protestou, levando o senador a se retratar via Twitter. (Poder 360)

Cresceu, como previsto, a pressão do Alto Comando do Exército para que o general Eduardo Pazuello passe para a reserva. Ele responde a processo administrativo por ter participado de ato político com Jair Bolsonaro no domingo. O ex-ministro da Saúde, porém, resiste. Ele avalia que a condição de militar da ativa lhe garante alguma blindagem na CPI da Pandemia. (Folha)

A Polícia Federal enviou documento ao STF informando que já tem provas de que o presidente afastado do Ibama, Eduardo Bim, teria cometido crimes de facilitação ao contrabando e advocacia administrativa. As provas foram obtidas na Operação Akuanduba, que atingiu também o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Sobre este, a PF diz também ter indícios de participação, sendo necessário aprofundar as investigações. (Globo)

Enquanto isso... Ignorado na ação contra Salles e companhia, o procurador-geral da República, Augusto Aras, entrou com um pedido no STF para que o caso seja retirado do ministro Alexandre Moraes e repassado a Cármen Lúcia, que analisa uma ação semelhante. Suspeita-se que Moraes e o delegado da PF Franco Perazzoni tenham combinado a operação. (Globo)

O pleito de 2022 vai acontecer sem grandes mudanças no processo eleitoral. Essa é a previsão do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para quem a reforma de 2017, que busca reduzir o número de partidos, ainda não foi exaurida. Sobre a proposta de voto impresso, Pacheco disse que não vai travar o debate, mas que, se aprovado “seria um processo de início de amostragem, chegando à plenitude ao longo de muitas eleições.” (UOL)

Por seis votos a um o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reconheceu que a deputada Tabata Amaral (PDT-SP) sofreu perseguição no partido por ter votado a favor da reforma da Previdência e a autorizou a deixar a legenda sem perder o mandato. (Folha)

O presidente Jair Bolsonaro mostrou irritação ontem em sua tradicional parada no cercadinho em frente ao Palácio da Alvorada. Não com os jornalistas, como de costume, mas com uma apoiadora que cobrava uma ação mais firme contra opositores. “Para quem não está contente comigo, tem Lula em 22”, disse ele. (Poder 360)

O mau humor de Bolsonaro tem razão de ser. Para o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ele vive seu pior momento político, enquanto o ex-presidente Lula está em seu melhor. Mesmo assim, Lira não vê espaço para uma terceira via no ano que vem. (Folha)

Vera Magalhães: “A eleição de 2018 se resolveu com o fígado. A de 2022, ao que tudo indica, será decidida pelo estômago. A realidade da fome ou da insegurança alimentar de milhões de brasileiros está posta à mesa do debate político. Isso explica mais que tudo a dianteira alcançada por Lula nas intenções de votos. E pode determinar o rumo do desgoverno de Jair Bolsonaro daqui por diante.” (Globo)

Com manifestações em várias partes do país, os americanos lembraram ontem o primeiro aniversário do assassinato de George Floyd, homem negro sufocado até a morte por um policial branco em Mineápolis. Em Washington, o presidente Joe Biden recebeu a família de Floyd na Casa Branca. O ex-policial Derek Chauvin foi condenado por homicídio e aguarda sentença. (G1)